A _____ORTA DO ______UGO
NA ____ORTA DO ____UGO ____ AVIA ____ORTALIÇAS TODO DIA.
O ____UGO CUIDAVA DA ____ORTA COM BOM ____UMOR.
UM _____OMEM ____UMILDE FOI À ____ORTA _____OJE.
ELE QUERIA UM MAÇO DE _____ORTELÃ.
Psicopedagoga
Neuropsicopedagoga
Este blog foi criado com o objetivo de expressar minhas ideias nessa terra de ninguém que é a internet e, também, para homenagear vários escritores que, através de seus pensamentos, ajudam a preencher meus vazios existenciais. Não tenho a intenção de ferir, copiar ou magoar ninguém, se caso o fizer, perdoe-me. Respeito a todos como a mim mesma. Espero dividir meu humilde conhecimento e aprendizagens com outros. Sou apenas mais uma leitora curiosa nesse mar de palavras.
NA ____ORTA DO ____UGO ____ AVIA ____ORTALIÇAS TODO DIA.
O ____UGO CUIDAVA DA ____ORTA COM BOM ____UMOR.
UM _____OMEM ____UMILDE FOI À ____ORTA _____OJE.
ELE QUERIA UM MAÇO DE _____ORTELÃ.
A CARROÇA E CARRETA
A CARROÇA E A CARRETA
SE ENCONTRARAM NA ESTRADA.
UMA VINHA À DIREITA,
À ESQUERDA, A OUTRA
PASSAVA.
UMA ERA
AMARELA PEROLADA,
A OUTRA, O FERRUGEM
ENFERRUJAVA.
A PRIMEIRA FOI PARA O NORTE,
A
SEGUNDA, DIRETO AO SUL
Ela subiu sem pressa a tortuosa ladeira. À medida que avançava, as casas iam rareando, modestas casas espalhadas sem simetria e ilhadas em terrenos baldios. No meio da rua sem calçamento, coberta aqui e ali por um mato rasteiro, algumas crianças brincavam de roda. A débil cantiga infantil era a única nota viva na quietude da tarde.
Ele a esperava encostado a uma árvore. Esguio e magro, metido num largo blusão azul-marinho, cabelos crescidos e desalinhados, tinha um jeito jovial de estudante.
-
Minha querida Raquel.
Ela
encarou-o, séria. E olhou para os próprios sapatos.
-
Veja que lama. Só mesmo você inventaria um encontro num lugar destes. Que
idéia, Ricardo, que idéia! Tive que descer do táxi lá longe, jamais ele
chegaria aqui em cima.
Ele
riu entre malicioso e ingênuo.
-
Jamais!? Pensei que viesse vestida esportivamente e agora me aparece nessa
elegância! Quando você andava comigo, usava uns sapatões de sete léguas,
lembra?
-
Foi para me dizer isso que você me fez subir até aqui? - perguntou ela,
guardando as luvas na bolsa. Tirou um cigarro.
-
Hein?! Ah, Raquel... - e ele tomou-a pelo braço. Você, está uma coisa de linda.
E fuma agora uns cigarrinhos pilantras, azul e dourado... Juro que eu tinha que
ver ainda uma vez toda essa beleza, sentir esse perfume. Então? Fiz mal? Podia
ter escolhido um outro lugar, não? -Abrandara a voz.
-
E que é isso aí? Um cemitério?
Ele
voltou-se para o velho muro arruinado. Indicou com o olhar o portão de ferro,
carcomido pela ferrugem.
-
Cemitério abandonado, meu anjo. Vivos e mortos, desertaram todos. Nem os
fantasmas sobraram, olha aí como as criancinhas brincam sem medo acrescentou
apontando as crianças na sua ciranda.
Ela
tragou lentamente. Soprou a fumaça na cara do companheiro.
-
Ricardo e suas idéias. E agora? Qual o programa?
Brandamente
ele a tomou pela cintura.
-
Conheço bem tudo isso, minha gente está enterrada aí. Vamos entrar um instante
e te mostrarei o pôr-do-sol mais lindo do mundo.
Ela
encarou-o um instante. Envergou a cabeça para trás numa risada.
-
Ver o pôr-do-sol!... Ali, meu Deus... Fabuloso, fabuloso!... Me implora um
último encontro, me atormenta dias seguidos, me faz vir de longe para esta
buraqueira, só mais uma vez, só mais uma! E para quê? Para ver o pôr-do-sol num
cemitério...
Ele
riu também, afetando encabulamento como um menino pilhado em falta.
-
Raquel, minha querida, não faça assim comigo. Você sabe que eu gostaria era de
te levar ao meu apartamento, mas fiquei mais pobre ainda, como se isso fosse
possível. Moro agora numa pensão horrenda, a dona é uma Medusa que vive
espiando pelo buraco da fechadura...
-
E você acha que eu iria?
-
Não se zangue, sei que não iria, você está sendo fidelíssima. Então pensei, se
pudéssemos conversar um pouco numa rua afastada... - disse ele, aproximando-se
mais. Acariciou-lhe o braço com as pontas dos dedos. Ficou sério. E aos poucos,
inúmeras rugazinhas foram-se formando em redor dos seus olhos ligeiramente
apertados. Os leques de rugas se aprofundaram numa expressão astuta. Não era
nesse instante tão jovem como aparentava. Mas logo sorriu e a rede de rugas
desapareceu sem deixar vestígio. Voltou-lhe novamente o ar inexperiente e meio
desatento.
-
Você fez bem em vir.
-
Quer dizer que o programa... E não podíamos tomar alguma coisa num bar?
-
Estou sem dinheiro, meu anjo, vê se entende.
-
Mas eu pago.
-
Com o dinheiro dele? Prefiro beber formicida. Escolhi este passeio porque é de
graça e muito decente, não pode haver um passeio mais decente, não concorda
comigo? Até romântico.
Ela
olhou em redor. Puxou o braço que ele apertava.
-
Foi um risco enorme, Ricardo. Ele é ciumentíssimo. Está farto de saber que tive
meus casos. Se nos pilha juntos, então sim, quero só ver se alguma das suas
fabulosas ideias vai me consertar a vida.
-
Mas me lembrei deste lugar justamente porque não quero que você se arrisque,
meu anjo. Não tem lugar mais discreto do que um cemitério abandonado, veja,
completamente abandonado - prosseguiu ele, abrindo o portão.
Os
velhos gonzos gemeram.
-
Jamais seu amigo ou um amigo do seu amigo saberá que estivemos aqui.
-
É um risco enorme, já disse. Não insista nessas brincadeiras, por favor. E se
vem um enterro? Não suporto enterros.
-
Mas enterro de quem? Raquel, Raquel, quantas vezes preciso repetir a mesma
coisa?! Há séculos ninguém mais é enterrado aqui, acho que nem os ossos
sobraram, que bobagem. Vem comigo, pode me dar o braço, não tenha medo.
O
mato rasteiro dominava tudo. E não satisfeito de ter-se alastrado furioso pelos
canteiros, subira pelas sepulturas, infiltrara-se ávido pelos rachões dos
mármores, invadira as alamedas de pedregulhos esverdinhados, como se quisesse
com sua violenta força de vida cobrir para sempre os últimos vestígios da
morte. Foram andando pela longa alameda banhada de sol. Os passos de ambos
ressoavam sonoros como uma estranha música feita do som das folhas secas
trituradas sobre os pedregulhos.
Amuada
mas obediente, ela se deixava conduzir como uma criança. Às vezes mostrava
certa curiosidade por uma ou outra sepultura com os pálidos, medalhões de
retratos esmaltados.
-
É imenso, hein? E tão miserável, nunca vi um cemitério mais miserável, que
deprimente - exclamou ela, atirando a ponta do cigarro na direção de um anjinho
de cabeça decepada.
-
Vamos embora, Ricardo, chega.
-
Ali, Raquel, olha um pouco para esta tarde! Deprimente por quê? Não sei onde
foi que eu li, a beleza não está nem na luz da manhã nem na sombra da noite,
está no crepúsculo, nesse meio-tom, nessa ambiguidade. Estou lhe dando um
crepúsculo numa bandeja, e você se queixa.
-
Não gosto de cemitério, já disse. E ainda mais cemitério pobre.
Delicadamente
ele beijou-lhe a mão.
-
Você prometeu dar um fim de tarde a este seu escravo.
-
É, mas fiz mal. Pode ser muito engraçado, mas não quero me arriscar mais.
-
Ele é tão rico assim? - Riquíssimo. Vai me levar agora numa viagem fabulosa até
o Oriente. Já ouviu falar no Oriente? Vamos até o Oriente, meu caro...
Ele
apanhou um pedregulho e fechou-o na mão. A pequenina rede de rugas voltou a se
estender em redor dos seus olhos. A fisionomia, tão aberta e lisa,
repentinamente escureceu, envelhecida. Mas logo o sorriso reapareceu e as
rugazinhas sumiram.
-
Eu também te levei um dia para passear de barco, lembra?
Recostando
a cabeça no ombro do homem, ela retardou o passo.
-
Sabe, Ricardo, acho que você é mesmo meio tantã... Mas apesar de tudo, tenho às
vezes saudade daquele tempo. Que ano aquele! Quando penso, não entendo como aguentei
tanto, imagine, um ano!
-
É que você tinha lido A Dama das Camélias, ficou assim toda frágil, toda
sentimental. E agora? Que romance você está lendo agora?
-
Nenhum - respondeu ela, franzindo os lábios. Deteve-se para ler a inscrição de
uma laje despedaçada: minha querida esposa, eternas saudades - leu em voz
baixa. - Pois sim. Durou pouco essa eternidade.
Ele
atirou o pedregulho num canteiro ressequido.
-
Mas é esse abandono na morte que faz o encanto disto. Não se encontra mais a
menor intervenção dos vivos, a estúpida intervenção dos vivos. Veja - disse
apontando uma sepultura fendida, a erva daninha brotando insólita de dentro da
fenda -, o musgo já cobriu o nome na pedra. Por cima do musgo, ainda virão as
raízes, depois as folhas... Esta é a morte perfeita, nem lembrança, nem
saudade, nem o nome sequer. Nem isso.
Ela
aconchegou-se mais a ele. Bocejou.
-
Está bem, mas agora vamos embora que já me diverti muito, faz tempo que não me
divirto tanto, só mesmo um cara como você podia me fazer divertir assim. Deu-lhe um rápido beijo na face.
-Chega,
Ricardo, quero ir embora.
-
Mais alguns passos...
-
Mas este cemitério não acaba mais, já andamos quilômetros! - Olhou para trás. -
Nunca andei tanto, Ricardo, vou ficar exausta.
-
A boa vida te deixou preguiçosa? Que feio - lamentou ele, impelindo-a para a
frente. - Dobrando esta alameda, fica o jazigo da minha gente, é de lá que se
vê o pôr-do-sol. Sabe, Raquel, andei muitas vezes por aqui de mãos dadas com
minha prima. Tínhamos então doze anos. Todos os domingos minha mãe vinha trazer
flores e arrumar nossa capelinha onde já estava enterrado meu pai. Eu e minha
priminha vínhamos com ela e ficávamos por aí, de mãos dadas, fazendo tantos
planos. Agora as duas estão mortas.
-
Sua prima também?
-Também.
Morreu quando completou quinze anos. Não era propriamente bonita, mas tinha uns
olhos... Eram assim verdes como os seus, parecidos com os seus. Extraordinário,
Raquel, extraordinário como vocês duas... Penso agora que toda a beleza dela
residia apenas nos olhos, assim meio oblíquos, como os seus.
-Vocês
se amaram?
-Ela
me amou. Foi a única criatura que... Fez um gesto. - Enfim, não tem
importância.
Raquel
tirou-lhe o cigarro, tragou e depois devolveu-o.
-
Eu gostei de você, Ricardo.'
-E
eu te amei. E te amo ainda. Percebe agora a diferença?
Um
pássaro rompeu cipreste e soltou um grito. Ela estremeceu.
-
Esfriou, não? Vamos embora.
-
Já chegamos, meu anjo. Aqui estão meus mortos.
Pararam
diante de uma capelinha coberta de alto a baixo por uma trepadeira selvagem,
que a envolvia num furioso abraço de cipós e folhas. A estreita porta rangeu
quando ele a abriu de par em par. A luz invadiu um cubículo de paredes
enegrecidas, cheias de estrias de antigas goteiras. No centro do cubículo, um
altar meio desmantelado, coberto por uma toalha que adquirira a cor do tempo.
Dois vasos de desbotada opalina ladeavam um tosco crucifixo de madeira.
Entre
os braços da cruz, uma aranha tecera dois triângulos de teias já rompidas,
pendendo como farrapos de um manto que alguém colocara sobre os ombros do
Cristo. Na parede lateral, à direita da porta, uma portinhola de ferro dando
acesso para uma escada de pedra, descendo em caracol para a catacumba. Ela
entrou na ponta dos pés, evitando roçar mesmo de leve naqueles restos da
capelinha.
-
Que triste que é isto, Ricardo. Nunca mais você esteve aqui?
Ele
tocou na face da imagem recoberta de poeira. Sorriu, melancólico.
-
Sei que você gostaria de encontrar tudo limpinho, flores nos vasos, velas,
sinais da minha dedicação, certo? Mas já disse que o que mais amo neste
cemitério é precisamente este abandono, esta solidão. As pontes com o outro
mundo foram cortadas e aqui a morte se isolou total. Absoluta.
Ela
adiantou-se e espiou através das enferrujadas barras de ferro da portinhola. Na
semiobscuridade do subsolo, os gavetões se estendiam ao longo das quatro
paredes que formavam um estreito retângulo cinzento.
-
E lá embaixo?
-
Pois lá estão as gavetas. E, nas gavetas, minhas raízes. Pó, meu anjo, pó -
murmurou ele.
Abriu
a portinhola e desceu a escada. Aproximou-se de uma gaveta no centro da parede,
segurando firme na alça de bronze, como se fosse puxá-la.
-
A cômoda de pedra. Não é grandiosa?
Detendo-se
no topo da escada, ela inclinou-se mais para ver melhor.
-
Todas essas gavetas estão cheias?
-
Cheias?... Só as que têm o retrato e a inscrição, está vendo? Nesta está o
retrato da minha mãe, aqui ficou minha mãe - prosseguiu ele, tocando com as
pontas dos dedos num medalhão esmaltado embutido no centro da gaveta.
Ela
cruzou os braços. Falou baixinho, um ligeiro tremor na voz.
-
Vamos, Ricardo, vamos.
-
Você está com medo.
-
Claro que não, estou é com frio. Suba e vamos embora, estou com frio!
Ele
não respondeu. Adiantara-se até um dos gavetões na parede oposta e acendeu um
fósforo. Inclinou-se para o medalhão frouxamente iluminado.
-
A priminha Maria Emília. Lembro-me até do dia em que tirou esse retrato, duas
semanas antes de morrer... Prendeu os cabelos com uma fita azul e veio se
exibir, estou bonita? Estou bonita?... - Falava agora consigo mesmo, doce e
gravemente. - Não é que fosse bonita, mas os olhos... Venha ver, Raquel, é
impressionante como tinha olhos iguais aos seus.
Ela
desceu a escada, encolhendo-se para não esbarrar em nada.
-
Que frio faz aqui. E que escuro, não estou enxergando! Acendendo outro fósforo,
ele ofereceu-o à companheira.
-
Pegue, dá para ver muito bem... - Afastou-se para o lado. - Repare nos olhos.
Mas está tão desbotado, mal se vê que é uma moça... - Antes da chama se apagar,
aproximou-a da inscrição feita na pedra. Leu em voz alta, lentamente. - Maria
Emília, nascida em vinte de maio de mil e oitocentos e falecida... - Deixou
cair o palito e ficou um instante imóvel.
-
Mas esta não podia ser sua namorada, morreu há mais de cem anos! Seu menti...
Um
baque metálico decepou-lhe a palavra pelo meio. Olhou em redor. A peça estava
deserta. Voltou o olhar para a escada. No topo, Ricardo a observava por detrás
da portinhola fechada. Tinha seu sorriso – meio inocente, meio malicioso.
-
Isto nunca foi o jazigo da sua família, seu mentiroso! Brincadeira mais
cretina! - exclamou ela, subindo rapidamente a escada. - Não tem graça nenhuma,
ouviu?
Ele
esperou que ela chegasse quase a tocar o trinco da portinhola de ferro. Então
deu uma volta à chave, arrancou-a da fechadura e saltou para trás.
-
Ricardo, abre isto imediatamente! Vamos, imediatamente! - ordenou, torcendo o
trinco. - Detesto este tipo de brincadeira, você sabe disso. Seu idiota! É no
que dá seguir a cabeça de um idiota desses. Brincadeira mais estúpida!
-
Uma réstia de sol vai entrar pela frincha da porta tem uma frincha na porta.
Depois vai se afastando devagarinho, bem devagarinho. Você terá o pôr-do-sol
mais belo do mundo.
Ela
sacudia a portinhola.
-
Ricardo, chega, já disse! Chega! Abre imediatamente, imediatamente! - Sacudiu a
portinhola com mais força ainda, agarrou-se a ela, dependurando-se por entre as
grades. Ficou ofegante, os olhos cheios de lágrimas. Ensaiou um sorriso. -
Ouça, meu bem, foi engraçadíssimo, mas agora preciso ir mesmo, vamos, abra...
Ele
já não sorria. Estava sério, os olhos diminuídos. Em redor deles, reapareceram
as rugazinhas abertas em leque.
-
Boa noite, Raquel.
-
Chega, Ricardo! Você vai me pagar!... - Gritou ela, estendendo os braços por
entre as grades, tentando agarrá-lo. - Cretino! Me dá a chave desta porcaria,
vamos! - exigiu, examinando a fechadura nova em folha. Examinou em seguida as
grades cobertas por uma crosta de ferrugem. Imobilizou-se. Foi erguendo o olhar
até a chave que ele balançava pela argola, como um pêndulo. Encarou-o,
apertando contra a grade a face sem cor. Esbugalhou os olhos num espasmo e
amoleceu o corpo. Foi escorregando. -Não, não...
Voltado
ainda para ela, ele chegara até a porta e abriu os braços. Foi puxando as duas
folhas escancaradas.
-
Boa noite, meu anjo.
Os
lábios dela se pregavam um ao outro, como se entre eles houvesse cola. Os olhos
rodavam pesadamente numa expressão embrutecida.
-
Não...
Guardando
a chave no bolso, ele retomou o caminho percorrido. No breve silêncio, o som
dos pedregulhos se entrechocando úmidos sob seus sapatos.
E,
de repente, o grito medonho, inumano: NÃO! Durante algum tempo ele ainda ouviu
os gritos que se multiplicaram, semelhantes aos de um animal sendo
estraçalhado. Depois, os uivos foram ficando mais remotos, abafados como se
viessem das profundezas da terra. Assim que atingiu o portão do cemitério, ele
lançou ao poente um olhar mortiço. Ficou atento. Nenhum ouvido humano escutaria
agora, qualquer chamado. Acendeu um cigarro e foi descendo a ladeira. Crianças
ao longe brincavam de roda.
Lygia Fagundes Telles
EDVALDO ROSA ESCREVE:
Sabor Pitanga - Resenha
Fui buscar dentre minhas memórias o sabor pitanga com o qual adocei em certo momento a minha vida... Fui buscar em mim alguma referência que me auxiliasse a entender o espirito que permeia o livro de poesias de Marilene Teubner, Sabor Pitanga.
A pitanga é uma fruta carnosa, vermelha (a mais comum), amarela ou preta, e bastante saborosa, rica em cálcio, a pitanga é nativa da mata atlântica brasileira, encontrada desde Minas Gerais até o Rio Grande do Sul.
Pode ser encontrada também na ilha da Madeira, Portugal, onde foi introduzida.
Mas sobretudo a pitangueira é nativa das terras brasileiras, e assim, o Sabor Pitanga é bem brasileiro!
A palavra “pitanga” vem do tupi-guarani, e significa “vermelho”.É por isso que nos poemas do livro Sabor Pitanga de Marilene Teubner os sentimentos são constantes e profundos.
A planta é cultivada tradicionalmente em quintais domésticos. Dá-se bem em terrenos arenosos junto às praias e os frutos são ótimos atrativos para pássaros.
Não é de se estranhar, portanto, que os poemas contidos no livro Sabor Pitanga de Marilene Teubner, quase uma centena, venham do fundo de seu coração, de sua mente e de sua alma.
É fato que o auxilio de sua vivência, tanto pessoal quanto poética, trouxeram ao livro Sabor Pitanga um frescor e uma vitalidade que rivalizando com a planta pitangueira, atrai e conquista o leitor já na leitura de suas primeiras páginas.
Não é demasiada a apresentação da poetisa na página 7, através de um acróstico de Dirce Cecilia Cozatti.
É de extrema sensibilidade a prescrição feita pela autora na página 9, com o poema “ Medicação “.
Assim contrariando a natureza da árvore, pitangueira, que tem um desenvolvimento moderado, já nos primeiros poemas do livro Sabor Pitanga podemos perceber uma crescente torrente de sentimentos...
Se a árvore é medianamente rústica, o mesmo não se aplica aos poemas de Marilene Teubner em seu livro Sabor Pitanga, a menos que consideremos sentimentos puros, profundos como rústicos!
Quanta sensibilidade vai sendo encontrada a cada página lida.
Chamou a minha atenção “Últimos versos”, quanto amor... Em “Perigo” , a ameaça de se amar demais!
Encontrei filosofia incrustada em “ Ostra “, que apreendamos a viver então.
E os temas das poesias de Marilene Teubner, em Sabor Pitanga, vão desfilando ao olhar atento com uma sensibilidade fina e antenada com a vida cotidiana, com os sentimentos e pensamentos das pessoas de hoje, mas que sonham amores e tecem desejos de tempos idos, quando tudo parecia ser bem melhor do que agora.
Assim, Sabor Pitanga, resgata valores importantes do ser humano, fala de desejos que todos, homens e mulheres, trazem dentro de si e que inibem sob o peso do dia a dia tão corrido, mais, Sabor Pitanga, revela a nossa face mais pura, “rústica” talvez, por não usar máscaras, agradável e amorosa.
Sabor Pitanga é um delicioso livro. E os seus poemas trazem o frescor de nossos melhores momentos vividos, e a esperança de vivermos estes mesmos momentos, caso não os tenhamos vivido.
Por fim, nas palavras de seu editor, Rossyr Berny, da editora Alcance, “ Pitanga, como a fruta, é um beijo sedento que mata a sua sede nos lábios da poesia e do amor. Delicie-se! “
Em tempo:
Sabor Pitanga
Marilene Teubner
Editora Alcance – 2008
Contato com a autora:
marileneteubner@hotmail.com
Edvaldo Rosa
WWW.EDVALDOROSA.COM.BR
27/01/2009
Edvaldo Rosa
Enviado por Edvaldo Rosa em 27/01/2009
Alterado em 27/01/2009
Lembram da história do Mogli, o menino que foi criado entre
os lobos, quando era bebê? Então, nessa semana aconteceu uma história curiosa lá
na Índia.
Não, nenhum garoto foi encontrado vivendo em uma alcateia
(coletivo de lobos). O que se achou foi um urso como animal de estimação de uma
pobre família indiana.
A história é a seguinte: no ano passado, o trabalhador
indiano Ram Singh Muda, de 35 anos, encontrou na floresta uma ursa órfã. Curiosamente,
Munda também havia acabado de perder sua esposa, Por isso, ele levou o mamífero até
sua casa para que a ursa pudesse dar aconhuego a sua filha pequena: Dulki, de apenas 6 anos. O
bichinho fofo ganhou o nome de Rani (rainha) e acabou virando animal de estimação
dos dois. A história que parece ter saído de um filme da Disney, chamou a
atenção do mundo todo. Principalmente pela foto em que papai Munda é visto andando de bicicleta com Rani. Muito fofo!
Mas, como todo contos de fada, há sempre um vilão. Nesse
caso, foi o governo indiano, já que por lá é proibido ter animais silvestres em
casa. Munda acabou sendo preso, a pequena Dulki está em um orfanato e Rani foi
levada para o zoológico. Se não bastasse tudo isso, a ursa não quer comer desde
então, e o pai de Dulki, se for condenado, poderá ficar na prisão por três anos.
As pessoas que defendem os animais, os ativistas, ficaram
impressionados com a história e querem que Munda seja solto.
Segundo os ativistas, o pais de Dulki não cometeu nenhum
crime, pois nunca maltratou a ursa. Ele também é analfabeto, não sabe ler e, não
tinha nenhum conhecimento dessa lei, que existia na índia. A torcida é para que o
governo indiano entenda essa situação e deixe ele viver de novo com sua filha.
Quem sabe até com a ursa também. Se essa história da vida real fosse igual à de
um livro, isso certamente aconteceria.
Adaptação para uso
Pedagógico.
Esse papai não é urso.
Gustavo Miller. O Estado de São Paulo, 28 jun.2008.(Suplemento Infalntil
Estadinho)
O segredo do vale da Lua
Elizabeth Goudge
É muito fácil se
encantar pelo mundo fantástico. O conto fantástico, maravilhoso faz nossa imaginação
sobrevoar por ambientes e tempos nunca imagináveis; nos apresenta personagens que
fogem ao cotidiano e à lógica; o enredo é permeado pela magia, pelos encantos e
riquezas das ações. Sou suspeita para falar sobre o “mundo fantástico”, é um gênero
da Narrativa que me encanta.
O conto fantástico
ou conto de fantasia, no qual o realismo mágico ou maravilhoso é a essência, teve
origem no século XVII, e embala até os dias atuais, o imaginário humano. Basta
um pouco de sensibilidade e criatividade para se apaixonar pelas histórias de
absurdos do mundo irreal que, além de despertar sentimentos e emoções, fazem
refletir sobre a verossimilhança com alguns acontecimentos reais.
Essa narrativa fantástica, infanto-juvenil, com narrador em 3ªpessoa, é baseada no romance de 1946, The Little White Horse, da mesma autora. O filme se passa em 1840, apresenta o espaço e o figurino característicos da época, as ruínas, os castelos e as torres remetem à harmonia e verossimilhança do tempo. Essa obra é um clássico da literatura inglesa.
Nesse filme podemos
observar um intertexto com o filme “A Bela e a Fera”. A música no início do
filme; a rosa vermelha na mão de Bela, enquanto está no cemitério (a rosa
vermelha encantada, em A Bela e a Fera); a morte do pai de Bela Bontempo (a prisão
do pai de Bela em A Bela e a Fera), o tio “carrancudo e calado” de Bela
Bontempo (a fera em A Bela e a Fera), o livro mágico que Bela herdou do pai (o
gosto de Bela pela leitura, em A Bela e a Fera), são algumas das características
dessa intertextualidade. Além de outras, como a falência do pai de Bela
Bontempo (a falência do pai de Bela em a Bela e a Fera), a biblioteca nas duas
narrativas; as duas personagens iniciam a narrativa órfãs de mãe e, assim como
a Bela, de A Bela e a Fera, Bela Bontempo também desenvolve sentimentos de amor,
que superam o preconceito contra o “diferente” – pelo chefe dos saqueadores,
Robin De Noir.
Bela Bontempo (Dakota Blue Richards), a protagonista da história, é uma menina de 13 anos, órfã de mãe que, após perder também o pai, precisa se mudar para a mansão do Tio Benjamin (Joan Gruffudd), pois seu pai perdeu todos os bens. A nova casa, no misterioso Vale da Lua, é maravilhosa, triste, sombria e fria. O tio, um homem forte e rancoroso, que prefere o silêncio ao convívio social, tenta manter-se austero diante da sobrinha, mas os encantos da menina acabam dominando as emoções que ele tanto tenta esconder.
Apesar da casa não parecer acolhedora, por conta da ranzinzices do tio, Bela se sente acolhida, principalmente, porque conhece o chefe de cozinha Pierre (Michael Webber), personagem parecida com um duende, cheia de truques e magias. Segundo o cozinheiro, a magia havia voltada àquela casa, depois que a menina chegou e a incentivou a ler o livro deixado como herança pelo pai. Ao continuar a leitura do livro mágico, Bela descobre que a Princesa da Lua, revoltada com a ganância dos homens e se sentindo traída, lançou uma maldição sobre o vale, e somente uma pessoa de coração puro poderia salvá-los da eterna escuridão. Bela tinha um papel importantíssimo na vida de todas as pessoas daquele lugar, precisava quebrar o feitiço antes da 5000ª lua.
E no desenvolvimento
da história, alguns assuntos relevantes para a sociedade como orgulho, rancor, ganância,
vão se entrelaçando à magia e aos feitiços do mundo fantasioso, o que nos
permite, diante da informalidade dos fatos, refletir sobre nossas ações. É uma
história encantadora, que aborda importantes temas sociais, principalmente, sobre
a morte e a dor da perda de um ente querido.
Sandra Garcia
É preciso pensar um pouco
nas pessoas que ainda vêm
Nas crianças
A gente tem que arrumar um jeito
De achar pra eles um lugar melhor
Para os nossos filhos
E para os filhos de nossos filhos
Pense bem!
Deve haver um lugar dentro do seu coração
Onde a paz brilhe mais que uma lembrança
Sem a luz que ela traz já nem se consegue mais
Encontrar o caminho da esperança
Sinta, chega o tempo de enxugar o pranto dos homens
Se fazendo irmão e estendendo a mão
Só o amor muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz
Se você for capaz de soltar a sua voz
Pelo ar, como prece de criança
Deve então começar outros vão te acompanhar
E cantar com harmonia e esperança
Deixe que esse canto lave o pranto do mundo
Pra trazer perdão e dividir o pão
Só o amor muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz
Quanta dor e sofrimento em volta a gente ainda tem
Pra manter a fé e o sonho dos que ainda vêm
A lição pro futuro vem da alma e do coração
Pra buscar a paz, não olhar pra trás, com amor
Se você começar outros vão te acompanhar
E cantar com harmonia e esperança
Deixe, que esse canto lave o pranto do mundo
Pra trazer perdão e dividir o pão
Só o amor muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz
Só o amor muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz
Só o amor muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz
Inteira feliz
(Roupa Nova e Pe. Fábio de Melo)
Disponível em: https://www.letras.mus.br/roupa-nova/1109626/ >Acesso em:29/8/2020