E a solidão rouba o sorriso tímido
E o silêncio mostra sua face mais sombria,
Não há mais voo livre,
Que desperte as ilusões simplórias,
Ou que aguça os desejos
mais distantes da intimidade.
Quando a noite surge no horizonte,
Espalma bruscamente o pôr do sol,
Que acalentava as tormentas
profundas da existência.
A escuridão naufraga os barcos da coragem,
E as emoções se tornam piso instável
Para a viagem platônica que ecoa sem destino.
Quando a noite ocupa ferozmente
Os recantos mais íntimos,
Os olhos não são mais de ver,
E a penumbra quente e úmida
Faz passagem e cai em chuva fina,
Sem forças para abrir as trincheiras
dos sonhos entorpecidos.
Sandra Garcia