domingo, 16 de agosto de 2026

Ecos

 

 Quando a noite lança seus braços

E a solidão rouba o sorriso tímido

E o silêncio mostra sua face mais sombria,

 Não há mais voo  livre,

Que desperte as ilusões simplórias,

Ou que aguça  os desejos

mais distantes da intimidade.

 

Quando a noite surge no horizonte,

Espalma bruscamente o pôr do sol,

Que acalentava as tormentas

profundas da existência.

A escuridão naufraga os barcos da coragem,

E as emoções se tornam piso instável

Para a viagem platônica que ecoa sem destino.

 

Quando a noite ocupa ferozmente

Os recantos mais íntimos,

Os olhos não são mais de ver,

E a penumbra quente  e úmida

Faz passagem e cai em chuva fina,

Sem forças para abrir as trincheiras

dos sonhos entorpecidos.

 

Sandra Garcia