sábado, 22 de outubro de 2011

Mário Quintana


"Somos donos de nossos atos,

mas não donos de nossos sentimentos;

Somos culpados pelo que fazemos,

mas não somos culpados pelo que sentimos;

Podemos prometer atos,

mas não podemos prometer sentimentos...

Atos são pássaros engaiolados,

sentimentos são pássaros em vôo."

(Mário Quintana)


Enviada por Mauro M.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Deixe o Sol brilhar


Não impeça que o sol brilhe,
pois em cada amanhecer ensaia-se
um mundo novo.
Não impeça que a vida aconteça,
que a primavera insista,
que a chuva derrame seu pranto.

Impeça que a beleza de existir seja ofuscada
por vendavais...

Não impeça que o sol brilhe e traga consigo
toda a beleza da aurora,
que espalha jatos de luzes ardentes pelo espaço.
Não impeça...experimente a existência!

(Sandra Garcia)

Imagem: Mauro M

Propaganda enganosa

Quando falamos em propaganda enganosa, logo pensamos em algum produto do comércio, em promessas de políticos em época de caça ao voto, nas qualidades que a pessoa amada insiste em dizer que tem, entre outras. No entanto, há uma propaganda que passa despercebida – o príncipe encantado.

Passamos a vida acreditando que podemos encontrar esse príncipe. Quando aparece alguém, o amor que é cego acha que o encontrou. Mas, não leva muito tempo para descobrirmos que por de trás de belos sorrisos, existe um sapo. É triste!

O pior não é cairmos uma, duas ou mais vezes no “conto de fadas”. O mais grave é não percebermos que nas histórias encantadas, as princesas nunca escolhem os seus príncipes, são escolhidas por eles.

Vejamos Branca de Neve, que está num caixão de vidro, envenenada por uma maçã, quando um belo príncipe lhe dá o beijo que cura. No caso da Bela Adormecida, um bravo aventureiro, ultrapassa as barreiras, invade o castelo onde todos dormem há cem anos, e num beijo desperta a princesa.

A Branca de Neve não tem escolha, fica com o príncipe ou volta para o caixão. A Bela Adormecida, por gratidão, está na mesma situação, o príncipe ou o sono eterno. No caso da Princesa e o Sapo, ou ela beija o sapo ou fica sem a bola de ouro. Materialista que é a danada, beija logo o monstro. A Rapunzel, num desespero de causa, aceita a ajuda do persistente príncipe ou vai amargar o resto da vida na torre.

A Cinderela me assusta! É a única que fez escolha própria, queria muito ir ao baile onde o príncipe escolheria uma esposa. E, com ajuda da fada madrinha, poderzinho básico que as outras não possuem, finge que é princesa (até o momento era apenas gata borralheira), usa de magia para chegar até o baile, dança com o príncipe, e depois foge astuciosamente, deixando-o apaixonado. Nesse vai e vem de encantos, ela deixa de limpar o chão da madrasta e vai viver feliz para sempre num lindo castelo com o príncipe que seduziu, cercada de empregados. Muito espertinha!

Os contos dizem que os príncipes são belos jovens, herdeiros de grandes castelos, e corajosos viajantes em busca de aventura. Estes dotes nunca foram confirmados pelas princesas. Talvez propaganda enganosa.

Em nenhuma dessas histórias somos apresentados às características negativas, como mau-hálito, maus modos à mesa, falta de higiene pessoal, personalidades trogloditas, vícios, enfim, inerentes aos seres primitivos. É óbvio, que a história não levantaria provas contra si mesma. Talvez por isso, as princesas não são avisadas destas possíveis tragédias, e se veem na obrigação de aceitar, por gratidão, seus heróis.

Porém, seria impossível, inimaginável, pensar a vida sem estes contos. Imaginem mulheres, termos a certeza de que jamais encontraremos um príncipe. Seria catastrófico! Sem os contos de fadas não sonharíamos encontrar produto melhor. Desse modo, devemos seguir a vida em busca do sonho encantado, do direito de sermos felizes, respeitadas. Viva aos Contos de Fadas!


(Sandra Garcia)

Clarice Lispector

Techo de uma carta de Clarice Lispector enviada em 1947 para uma grande amiga:

"...Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso - nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro. Nem sei como lhe explicar minha alma. Mas o que eu queria dizer é que a gente é muito preciosa, e que é somente até um certo ponto que a gente pode desistir de si própria e se dar aos outros e às circunstâncias. Depois que uma pessoa perder o respeito a si mesma e o respeito às suas próprias necessidades - depois disso fica-se um pouco um trapo.

Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo aquilo que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma."


"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso"


Enviada por Mauro M.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Era Primavera

Estou de frente à janela.

Os autos passam apressados.

Minhas asas insistem no casulo,

Resistem, antes que este se abra

E me expulse...

Preciso da chuva...

Ouço pássaros, vida.

Sinto a brisa morna de um verão precipitado,

Atrevido,

Que invade estação alheia.

E minhas asas...

Quietinhas, na masmorra,

A espera...

Não sei do quê.


(Sandra Garcia)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Amor como tema


Este tema não nos foge, Marilene

Porque o amor está entre dois beija-flores

Porque uma criança é concebida durante o amor

Porque as mães amam seus bebês

Porque o pedreiro assovia pensando na amada

Porque a vida que passa lá fora está recheada de amores mil

A vida é amor por todos os cantos...

Amor... Sentimento que rege a orquestra da alma

É o caminho que segue os nossos passos rebeldes

É a estrada mais longa que percorremos

É a busca mais preciosa de toda existência

O amor de mãe, de amiga, de amante

Amor que observa, investiga e experimenta

Dever de casa de toda mulher.

Quando nos deitamos,

A esperança é que o amor se faça presente.

Seja de qualquer forma, de filho, de amigo, de amante

O importante é que se manifeste


(Sandra Garcia)

domingo, 4 de setembro de 2011

Labirinto


A vida persegue caminhos,
encantos e desencantos.
As janelas se abrem,
mas o horizonte pálido
é um plano distante.
O labirinto de emoções
é inerte ao ser árido.
Angústias atravessam os corredores
e contornam os pilares de Ícaro.
O sonho é o mesmo!
As penas é que encontraram
cera frágil e abandonaram
as ilusões do pescador de sonhos.
A vida persegue caminhos
que a própria existência desconhece.

(Sandra Garcia - 2011)